3 Ninguém viu que os alunos já eram digitais?

3 Ninguém viu que os alunos já eram digitais?
Leonardo Estevam | 16/02/2021

Se você é professor, executivo ou empreendedor educacional ou qualquer outro tipo de “produtor educacional” (FRIEDMAN; MILTON, 1979, p. 157), não tenho ideia de que planeta você vive, se não viu que os seus estudantes, filhos e até seus pais, os chamados “consumidores educacionais” (FRIEDMAN; MILTON, 1979, p. 157), estavam em meio a uma revolução. A IV Revolução Industrial. Sim! Ela é real e estava em meio a todos nós. Só não viu quem não quis. Aliás, explico as aspas. Milton Friedman, grande economista americano da Universidade de Chicago, dividia aqueles que tinham relacionamento com o sistema educacional entre “consumidores educacionais” e “produtores educacionais”. Essa divisão está no livro “Free to choose” no capítulo “What’s wrong with our schools?”. Imperdível! Você que gosta de ler, vale a pena!

A IV Revolução Industrial produziu uma disrupção tão gigantesca na humanidade que não pode ter passado despercebida por ninguém; pode ter sido ignorada, mas não despercebida. O fato de que a maior empresa de transportes do mundo não tem nenhum carro (UBER), o fato de que a maior empresa de hotelaria do mundo não tem nenhum quarto (AirBnB) e o fato de que a maior empresa de marketing do mundo não produz conteúdos, mas sim identifica conteúdos (Google) não podem, a despeito de maior que seja a sua ignorância, ter passado em branco, em especial, dentro de um ambiente de relacionamento educacional, em que se espera que tais assuntos sejam contextualizados, tratados e debatidos.

No Brasil, o Facebook, uma das maiores empresas de comunicação do mundo, tem 130 milhões de usuários, de acordo com seus próprios dados. O Instagram, outra plataforma que pertence ao próprio Mark Zuckerberg, tem 69 milhões de usuários. No nosso país, atualmente, de acordo com o IBGE, há 210 milhões de habitantes (IBGE, estimativa 2019). Provavelmente você, pai, executivo ou empreendedor educacional, viu seu filho ou estudante com a cabeça baixa passando o dedinho no celular ou mesmo foi demandado, como já fui também, por um novo aparelho com recursos de fotos que o anterior não tem. É claro que viu que seu filho ou estudante já era digital! Se incomodou, mas não atuou. Essa revolução atingiu em cheio a Educação, mas o que você fez acerca? Nada? Então, não venha com a desculpa de que toda essa necessidade de digitalização foi repentina ou que você não sabia que seria assim; então minha pergunta será: em que planeta você estava?      

Se você ignorou isso, tenho que lhe apresentar a Educação 5.0. Sim! Ela está batendo à nossa porta e nasceu de uma provocação do ministro da educação japonês que, diferentemente dos políticos brasileiros que só vivem para brigar, se incomodou com a existência de tantos carros que dirigem sozinhos, de tanta inteligência artificial, de tanto big data, de tantos robôs e de tanta comodidade que tem sido criada no mundo e se perguntou: “O que ensinaremos aos estudantes, quando isso tudo não for mais novidade? Com o que eles vão trabalhar?”

 

Texto por Leonardo Estevam

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